quinta-feira, 16 de junho de 2011

Bob

Ele senta, deita e dá a pata.
Não tem um olho.
Não tem uma casa.
Não tem comida.
Só um olho lhe basta para enxergar.
Assim, não vê a crueldade de quem lhe abandonou.
Também não percebe a maldade, que provavelmente levou o outro olho.
Seu lar é na rua, não tem paredes.
É nômade.
O alimento sempre aparece quando precisa.
Seja do lixo, seja de alguma alma caridosa.
Apenas se ressente com a falta de carinho.
A maioria das pessoas o esculacha.
Derrete-se por qualquer afago.
Apesar de velho, não é rabugento.
Brinca pensando que é criança.
Mas seu corpo já não acompanha a brincadeira.
Ah, como eu queria abrigar todos os bichos abandonados desta cidade.