sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Depois que você se foi

Andava perdida até que te encontrei, ao acaso.
Deixei-me guiar por seus passos.
Meu coração lhe entreguei – você fez pouco caso.
Depois que você se foi, chorei.
Chorei até minhas lágrimas secarem...
Meu coração petrificou
de tal modo que nunca mais ninguém lá entrou...
Então, sorri.
Sorri até que o sorriso virasse verdadeiro.
Me perdi em outros abraços;
criei alguns laços.
Mas com certo descompasso.
Agora, sigo meus próprios passos,
sem qualquer laço;
sem falsos sorrisos e sem demasiados abraços.
Me faltam lágrimas, me sobram sorrisos.
Meu coração já não é mais de pedra.
Mas não é qualquer abraço que o leva.
Sigo uma lógica meio torta...
Um pouco de razão, um pouco de emoção.
Nenhuma das duas me domina,
mas ambas orientam meus passos.
Já não piso em falso.
Meu coração é só meu,
ninguém vai cuidar melhor dele do que eu.
Algumas feridas, de vez em quando, ainda doem.
Mas o fogo já não me consome.
Não te sinto mais em mim.
Que bom é assim.
O passado, eu deixo passar.
Às vezes, nem quero lembrar.
Do futuro, pra que me preocupar?
No presente, você não está;
estou apenas eu, dando os meus passos,
seguindo minha lógica torta,
cuidando do meu coração calejado,
vendo o mundo com outros olhos,
abandonando a ilusão das mentiras bonitas,
os desenhos abstratos e paisagens distorcidas.
Com você, me perdi ainda mais.
Depois que você se foi, estou me encontrando,
aprendendo a colocar os pés na realidade.
O caminho, eu mesmo é quem faço.
Procuro evitar descompassos,
andando devagar nos passos.
Não me perdendo em abraços,
nem em falsos laços...