quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Menina da Lua (1)



       Era noite de luar. Ísis, de olhos fechados, ouvia o som do mar. A noite estava quente e a brisa soprava em seu rosto. De repente, houve um clarão. Algo caiu do céu. Calmamente, abriu os olhos, como se fosse natural uma estrela cair do céu. Aquela cena, para ela era familiar, pois havia sonhado na noite anterior. Deslizou pela areia, indo ao encontro da tal estrela. Havia acordado quando estava no meio do caminho, a partir dali, tudo era novidade e incerteza. O ar de mistério lhe agradava.

       Morava em Torres, desde seus 21 anos, elegeu a cidade para “viver em utopia”, como costumava falar. Nunca revelara a ninguém os reais motivos de sua mudança. Mas seu olhar distante, seus modos destoantes e seu olhar penetrante renderam, além de muitos admiradores, algumas teorias.

       Todas as noites, pela madrugada, entre 3 e 4 horas, Ísis sentava-se entre as pedras que dividem a Praia Grande da Prainha, para meditar.

       Era estudante de fisioterapia. Cursara sete semestres de Engenharia Civil na Universidade Federal da Capital. Mudou-se para Torres, após um acidente, do qual foi única sobrevivente. Perdera toda sua família. Isso ninguém sabia. Também ninguém tinha conhecimento de que seus pais eram Arquitetos bem sucedidos e que, apesar da pouca idade, Ísis, já era uma profissional bem sucedida na área. Foi ela quem, com sua criatividade, aos 17 anos, quando entrou para faculdade, fez com que o escritório da família virasse um grande sucesso. Apesar de ter optado pelo curso de engenharia, seus projetos pareciam verdadeiras obras de arte. Seu pai sempre lhe dizia que deveria se transferir para o curso de Arquitetura. Mas Ísis fingia não ouvir. Seu lado racional contrastava com seu visual alternativo, postura despojada e ideias tidas, por muitos, como “mirabolantes”.

       Agora contava com 33 anos. Mas aparentava uma ingenuidade de menina, estampada num corpo exuberante de mulher. Cabelos negros, ondulados e longos emolduravam um rosto onde se destacava um olhar penetrante que parecia ler os pensamentos de quem o cruzasse. Seu sorriso era como um raio de sol. Estava sempre de bem com a vida e, a cada sorriso, encantava a qualquer um que passava. Era, sobretudo, discreta. Mas não conseguia passar despercebida. Por qualquer lugar que fosse, a ela viravam-se todos os olhares.

       Caminhou sob um encantamento, até que chegou no lugar onde o clarão cessou. Quando abriu os olhos ainda pode acompanhar a trajetória da estrela. Mas, agora, estava tudo escuro. O incomum não lhe surpreendia. Pensou que já era tarde e que, provavelmente, somente ela havia presenciado o fenômeno.

      Procurou entre as dunas algo que não sabia. Tudo foi silencioso. Primeiro um clarão que foi percebido de olhos fechados, depois uma estrela cadente que invadiu a praia e “caiu” entre as dunas. Parecia um diamante de uns dois metros de altura, cercado de uma luz translúcida que ofuscou seus olhos já abertos.

       Uma voz ecoou em seus ouvidos, achou que viesse do além, mas percebeu uma voz masculina que estava próxima as suas costas e identificou nitidamente as palavras:

         Já encontrastes o que viestes procurar! O tempo irá se encarregar de lhe trazer as respostas, em momento oportuno.
    O quê? - Exclamou, virando-se. Mas viu apenas um vulto claro e de um colorido surreal desaparecer em meio a uma quase imperceptível fumaça.
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o fim está próximo
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próximo do próximo capítulo
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