segunda-feira, 26 de junho de 2017

Era uma vez

Quando se está apaixonada todo o dia é colorido.
Parece um conto de criança que começa com "era uma vez"       .
Até o algodão doce retirado das nuvens parece salgado depois que eu te beijo.
Mesmo quando o herói decide ser vilão, me encanto com seus defeitos.
Com um lanche e um banho quentinho nem sinto os arranhões.
Inventamos nosso próprio mundo, para poder gozar da ingenuidade e inocência que, por vezes, subvertemos num beijo.
No teu colo, com teu carinho, até esqueço desses remédios e compromissos que não me deixam voltar a ser criança.
Quantas brincadeiras foram interrompidas por esse joelho ralado? e pelo horário pra voltar pra casa?
E quando meu coração foi partido os únicos curativos apenas anestesiavam a dor, durante a tempestade, até que o tempo virasse e viesse o sol.

O tempo e a vida não param, nem pelo coração, nem pelo joelho.
Então, a gente cresce e mesmo querendo voltar, esbarra no calendário. E a medida que cresce, percebe que o joelho e o coração estão ali, estiveram ali sempre.


Não se passa por essa vida com eles intactos, seja criança ou seja adulto.

sábado, 22 de abril de 2017

Reencontros

A vida é feita de encontros e desencontros
E como é bom reencontrar alguém que nos completa
Espero que nada nos separe novamente
Quero estar pra sempre ao seu lado

terça-feira, 11 de abril de 2017

Rock in Roll



Entre nós dois, não cabem intermediários.

Aguardo sua ligação, num telefone que sequer funciona.

Sabes onde me achar, também sabes como.

Se partistes, foi porque quisestes.

Meu coração foi partido duas vezes por você.

Em minhas regras insanas, isto é inaceitável.


Mas o Rock in Roll a tudo supera.
Do tempo exato só lembro das palavas - as ditas e as não ditas, as que estão guardadas dentro desse silêncio que há em mim e as que se foram pela boca

domingo, 9 de abril de 2017

Claridade do Caminho


Queria te ver, mas penso que isso seria ruim pra você, ando meio tóxica.

Essa toxidade, não só me afasta de você, como de todos.

As vezes, sinto que estou numa bolha, onde apenas vejo o mundo passar pelos meus olhos.

Escrevo somente com a embriaguez do sono.

Agora não estou assim, logo, travo em cada linha.


Não penso que você daria sentido a minha vida, mas tornaria mais claro o caminho.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Ando por becos escuros, me esguiando pelas sombras
As pessoas não me vêem
Agora só o eu posso fazer é escrever
E é exatamente o que quero
E
S
C
R
E
v
E
R

Poeme-se, plante essa ideia... 

sábado, 25 de março de 2017

seja como for

mas seja

sempre o meu amor

eterno

imperfeito

intenso

E, até mesmo: antítese!
Não quero ver a altura do tombo, se depender de mim sequer cairei.
Suas lágrimas falsas não me afetam.
Tua falta de profundidade me afasta.
Ou cai de cabeça ou me deixe ir.
Não me faça perder tempo.
Amo amores que começam no primeiro olhar.
Talvez me arrependa algum dia, mas quero vivê-lo.
Em cada momento. Cada Segundo, como se fosse a última vez e, no outro dia, vivê-lo novamente.
E assim por diante, te que se acabem os dias.
Sim, acredito em pra sempre e em criatividade e que também podemos ter várias vidas dentro de uma.
Não sei o que dizem a meu respeito.
Só peço que observe quem eu realmente sou.
Existem poesias que quero que fiquem tão perfeitas que deixo passar o tempo.
E o tempo se perde e o motivo da poesia também.
Eu desci da solidão, meu chão é forte, não é de giz.
Os devaneios não são tolos, mas  me torturam.
Os recortes da minha mente embaralham presente, passado e futuro.

Já me sujei fumando todos os teus cigarros e nem uso batom, para beijá-lo a todo instante.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Yo te amo

No se cuanto tiempo me resta con usted, pero me gusta dividir cada segundo
yo te prometi el ahora y me tienes por la eternidad,
nada de lo que hagas o digas ira a cambiar lo que siento.
te quiero, te amo, yo dejo todo
 solo siento que és verdadero con vos, hermoso...

domingo, 6 de novembro de 2016

Ela

Ela já tinha passado da fase de baladas

O que ela queria agora

Era desnudar a alma...

Acompanhada de um vinho.

Autoria: Nhana Bolsoni

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Prima Vera ou Mãe Vera

De onde veio...
Vim dela... e creio que faço parte dela.
Antes de mãe era prima.
Agora mãe, mão mais primavera!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Deusa

Minha Deusa.

Minha sina.

Faz de mim o que bem quer.

Teu Cheiro me alucina.

Com o teu beijo eu imagino.

Brilha mais que purpurina.

O seu doce termina mais amargo que o fel.


Autoria: Hormem Antunes

Estrela muda

Estrela do céu me diga:

Até quando vai a vida?

Brilhe e torne minha noite mais feliz.

Do pátio não vejo a lua, apenas algumas estrelas que não falam.


Apenas escutam os meus lamentos.

Paredes pintadas

Quem pintou as paredes de branco assassinou o que eu sentia.

Lindos versos escritos a próprio punho restaram apagados.

Quando vi tudo límpido senti como se tivessem me dado um soco no estômago.

Me apagaram, era como se não existisse.

Não ousei reescrevê-los, me anulei.

No lugar do túmulo colei um adesivo de árvore.


Cada folha representa uma palavra esquecida.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Quando

Quando um desenho está para ser acabado.
Apenas uma cor para por o ponto final.
Quando o filme da vida passa diante dos olhos e não participamos.
Quando o silêncio completa o que não deveria.
Quando grito, esbravejo com quem não tem nada a ver.
Assim, me sinto longe de mim.
Como se fosse apenas um corpo que observa, se cala, grita e esbraveja.
Mas o desenho já está acabado.
Do filme já faço parte.

E colho os frutos dos silêncios e gritos.

Saudade

Saudade
Única palavra que só existe na língua portuguesa.
E é o que sinto por você.
Se me fosse também sentirias por mim.
Por isso, volto e fico.

O tempo suficiente para eternidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Se te visses a tardinha

Se te visses a tardinha, a noite e a madrugada seriam poucas
para acabar com essa magia que os segundos do teu lado me despertam.
Nem o cansaço nem o sol do outro dia me fariam parar.
Se te visses a tardinha, a seda vermelha pularia do meu corpo para o chão do quarto,
te daria razões para sorrir de verdade e colocaria para fora todo este desejo que preenche meu olhar.

Se te visses a tardinha, nos teus abraços adoraria me perder.

Baseado: "Se tu viesses ver-me" de Florbela Espanca

"Penso, logo existo." - Será?

Não quero revolucionar os livros de filosofia, nem também ser prepotente a ponto de dizer que os que citarei e que estão errados em todo.
Porém gostaria de isolar determinados pontos.
Vejamos, inicialmente, o discurso do método de René Decartes, onde deu-se a famosa frase: "Penso, logo existo" (ergo sunt - conforme original).
Proponho, então,  considerarmos que o pensar é não-matéria, pois conceituar o próprio,  seria limitá-lo, e vista a sua condição ilimitada e infinita de ser e existir, não seria possível delimitar este!
Baseado nesse próprio argumento, vemos a condição do ser vivente,  constituído de matéria,  que segundo Decartes, existe porque pensa!
Realmente,  não poderia existir um homem desprovido de pensar (apesar de eu conhecer alguns...).
Mas onde quero chegar, é exatamente o inverso disso .
Há seres unicelulares, como a ameba, que realmente não possuem a capacidade de raciocínio.
E já que para tudo o que há, existe algo inversamente proporcional, consideraria eu, então,  que poderia haver o não-ser, dotado do pensar!
Segundo o discurso,  René apresenta-nos que o pensar é o único ponto que somos incapazes de abstrair.
Mas há uma falha aí,  não é pela incapacidade humana de desconsiderar algo, que deve ser aceito, que por isso,  e somente por isso existimos .
Como já foi dito, o pensar, é livre, não pode ser delimitado e tolido em palavras tamanha sua dimensão.
Sou prepotente ou Decartes estava errado?
Não é dado obrigatoriamente que exista algo, simplesmente porque eu possa vir a pensar que ele existe!
Posso supor inúmeras coisas, e, nem por isso, elas têm de existir, apenas porque penso que elas existem.
Quero tentar apresentar um novo argumento, de forma diferente da anterior, onde tenho também como propósito mostrar que o discurso do método pode estar errado!
Se considerarmos que só existo, e, quando digo isso, refiro-me ao próprio tratado de Decartes, só posso considerar-me um ser existente, baseando-me na única prova empírica, de que penso, então pressupõe-se que a força do meu pensar, vai muito além da simples expressão "força criadora", então ela realmente cria?!
Contesto este, apresentando o exemplo de um unicórnio cor de rosa, de olhos azuis e ferraduras douradas! Não é por que eu projeto em minha mente , e que talvez até possa aceitar como verdade a sua existência, que tornaria-o real!
Assim como o unicórnio, não seria capaz, somente com a força do seu pensar, projetar-me vividamente em frente a mim...

Autoria: Coelho (O que não é o Paulo)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Voltando

Houve um dia que eu largaria tudo para o alto e seguiria sem rumo.
Esse dia passou, criei raízes.
E como é bom cultivar os pequenos prazeres da vida e dividir com os que nos são próximos.
Se eu sumisse no mundo, não teria esse privilégio.
Das cartas que escrevi e não mandei, não tenho arrependimentos.
Já foram rasgadas e esquecidas.
Um pouco de mim foi deixado de lado.
Acho que meu lado hippie não faz falta.
Os 30 dias que me são concedidos por ano para não pensar em nada e partir sem rumo me são suficientes.
Sempre volto, sinto saudades de casa, da minha cama, do meu espaço.
Sinto saudades dos meus pares e da minha cachorra.

Por isso volto.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Envelhecer

Envelhecer nunca sai de moda, pois é inato.
Envelhecemos desde que nascemos.
Só os sobreviventes chegam ao ponto de dizer que estão velhos.
Portanto, é um privilégio que nem todos têm.
Nunca sabemos quando será o final dos nossos dias, poderá ser aos 5 anos de idade.
Portanto, esteja perto de quem você ama e tudo será mais leve, saboroso e aconchegante.
 Saiba que nós também somos o que não temos coragem de fazer, pois o medo é uma defesa e uma característica evolutiva, que nos protege de situações que podem nos levar a um risco de vida ou apenas de dores psíquicas.
 Certo que não podemos nos aprisionar no medo, mas devemos tratar ele como um elemento natural da vida.

Por isso, não tenha medo da velhice.

Autoria: Jean Carlo Theis

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Acordei pensando em você


Hoje eu acordei afim de te dar um presente.
Pensei e pensei no que poderia ser.
Cogitei diversas possibilidades.
Te mandar uma cesta de café da manhã , mandar te entregar flores...
Mas considerei que isso fosse clichê demais.
Apesar de ser bonito, a cesta acaba e as flores murcham.
Pensei, então, em escrever um texto bonito...
Afinal , as palavras são eternas! 
E será que eu consigo? 
Te dizer o que sinto , as vezes é tão difícil...
Porque sempre tenho que ser sutil ao te abordar, nunca sei como irá reagir, talvez você odiaria a ideia da cesta...
Talvez você se entedie com o texto, de uma forma ou outra...
A intenção de te fazer sorrir.
Está sempre perpetuada! 
Quantas vezes já disse que te amo? 
Talvez você já tenha se enjoado de ouvir.
Talvez, a maioria das vezes você não levou a sério, ou simplesmente ainda não percebeu! 
Acordo todas as manhãs, e é automático o movimento de pegar o celular a procura de uma mensagem sua de pelo menos um bom dia!
E como melhora esse meu dia quando tem uma mensagem sua! 
Escrevo e escrevo, leio e releio, fico nesse receio, que talvez não esteja bom, que eu não tenha saído do tom, mas só queria mesmo te dizer, além de que te amo, que pra variar, acordei pensando em você !!!

Autoria: Coelho (Não o Paulo)

O dia depois de amanhã

Passei por mais um dia 18.

Mais um dia do Médico.

E passei bem.

Sem escutar chão de giz, ouvindo sobre o tempo do Pato Fu.

Por vezes os paralamas se inserem no contexto.

Sem descompasso, passo.

Ele dorme.

Eu, intensa, aguardo a hora.... enfim, o tempo....

Nesses meus segundos, vou arrumando a casa, arrumo o cabelo, ligo duas velas e um incenso.

Tudo ao mesmo tempo.

Agora, sentada no meu computador, a tela já não está vazia.

Arrisco escrever sem edição.

domingo, 11 de outubro de 2015

Dia da criança

Não digo que as crianças não devem ganhar presentes amanhã.... mas acredito que um iphone ou algo do tipo não seja adequado. Os presentes mais valiosos que ganhei dos meus pais que eu me recordo foram uma batadeira, pois adorava fazer bolos como uma boa gordinha e o mais importante: um livro. que marcou minha vida, Cecília Meireles, ou isso ou aquilo. Estava em dúvida entre o q pedir um livro ou uma barbie... Minha mãe até poderia ter me dado os dois, mas foi então que a poesia fez sentido em minha vida e deixei de brincar com bonecas para tentar entender aquelas palavras tão simples que estavam naquele livro. Obrigado Vera Lucia Argemi por não ter me dado uma barbie também.

sábado, 10 de outubro de 2015

Segunda chance

E se estamos aqui vivendo apenas a nossa segunda chance?  Para consertar os erros da vez passada? Isso explicaria os dejavus, as coincidências, as pessoas que conhecemos há tão pouco tempo e parece que conhecemos há anos!
E se hoje ja for a segunda chance que você espera um dia ter ?
Eu não sei responder essa pergunta, e nenhum de vocês aqui também não! Mas um conselho eu posso dar...
Sendo essa a primeira, a segunda ou a última chance de fazer o certo e corrigir os erros, viva como se sua vida fosse terminar a meia noite,  e agradeça ao universo a todo amanhecer, por ter lhe gratificado com mais uma oportunidade,  a hora é agora, os minutos em que iniciei esse texto, já são parte do passado, e falando nele, guarde apenas as boas recordações,  lastimar suas falhas e guardar mágoa , não te levam a lugar nenhum, seu coração é pequeno demais para ocupa-lo com lamúrias e demais sentimentos negativos. E quanto ao futuro?! Deixe acontecer, ele só será resultado de suas escolhas no hoje, levantem suas cabeças e espalhem os bons sentimentos, compartilhem o puro amor! Se tiveres que dizer que ama alguém,  diga hoje, amanhã poderás não ter essa oportunidade,  faça tudo para viver longe do arrependimento, este é um dos mais cruéis pesares ! Amem mais, compartilhem esse sentimento e que o mesmo seja recíproco a todos aqueles que tem o coração puro o suficiente para desfrufa-lo em sua plenitude !
E por último,  seja feliz, lembrando que para isso, é mais fácil fazer alguém feliz , e assim , desfrutar a reciprocidade deste !

Autoria: Coelho, (nao o paulo)

sábado, 26 de setembro de 2015

Eis me aqui

Foi aquele 18 de outubro que o tempo parou e começou a correr diferente.
A música tocava mo fundo da alma.
Foi o dia mais feliz e o mais triste.
Daqui a 1 mês e 4 dias farão 5 anos.
Sempre que escuto a tal música volto àquele dia.
Onde o tempo parou, onde tudo fez sentido e depois se dissipou.
Como uma nuvem após a tempestade.
Sozinha, me espalhei por aquela cidade, desconstruindo uma vida que mais tarde ganharia algum sentido.
Deixei fragmentos por todos os lados, na busca desse sentido que não se mostrava pra mim naquele momento.
Em conversas imaginárias me despedi de todos com que convivia.
No rosto da minha mãe, vi os rostos das mulheres que passaram por mim naquele dia.
De olhos fechados, segui por um destino, aceitando que não estava no controle da minha vida.
E quem está?
Aceitei o destino.
Hoje ele me trouxe até aqui.
E já me perdi e me encontrei, desconstruí e contruí várias vezes desde então.
Daquele dia, lembro com carinho das pessoas por quem passei e das que, em silêncio, disse adeus.
Aquele dia está enterrado no meu passado, mas torna-se latente, toda a vez que escuto aquela música.
Foi passado, presente e futuro de uma vez só.
Foi clareza e contradição.
Rodeei-me de estrelas.
Estive a um passo do precipício.
Não pulei.
Nem o quis fazer.
Mas de certa forma aquela pessoa que vivia em mim morreu.
Outra nasceu.
No mês que se seguiu àquele dia, voltei a ser criança.
Não bem me lembro em que ponto voltei a ser adulta.
A rotina me levou de volta aos poucos.
Várias lagartas, várias borboletas.
Uma série de metamorfoses.
Então, eis me aqui.
E nunca consigo responder sem titubear quem sou, para onde vou e o que faço aqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Os ponteiros do relógio

Os ponteiros menores dão duas voltas. 
Acordei e dormi no mesmo lugar. 
Posso dizer que sou a mesma. 
Os ponteiros não mudaram nada hoje. 
Nem ontem. 
Talvez no amanhã que nunca chega. 
Tantos dias se passaram e eu passei por eles incólume.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Poemas perdidos


Há poemas perdidos, pemas não lidos...

Onde será que estão?

Mofam em algum quarto úmido?

Empoeiram-se em gavetas repletas de papéis que servem de alimento às traças?

Há poemas perdidos e são bons...

Quero lê-los.

Quero vivê-los.

Há poemas não escritos, pronunciados num piscar de olhos, numa virada de cabelo, num silêncio bem resolvido.

Há poemas inesquecíveis...

Que os poetas tenham sensibilidade e não nos privem deste convívio.

Jean e Vivi

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O Amanhã


Com o amanhã virá o sol

E com ele você

a alegrar meu dia

para que juntos retomemos o nós



O hoje me entristece

meus braços estão muito longe dos teus abraços

ao lado dos meus passos não vejo suas pegadas



o dia não terminou e já vens com palavras que não formam versos

produzem desencontros e adiam o amanhã tão esperado para quem sabe um dia



Fecho os olhos e espero pelo futuro distante

onde haverá mais poesia

onde os segundos farão sentido

e você retornará a minha vida


Leia também: "Esta Manhã", de Marco Xavier, disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdeamor/5300359

terça-feira, 7 de julho de 2015

Mais um dia, menos tempo...

Os passos silenciosos dos segundos que passam no meu relógio.

Não passam o tempo, não são o tempo.

São fantasmas de momentos que não são vividos.

São tempo perdido.

Esses passos que não passam.

Esse tempo que não muda com o tempo.

Essa espera pelo alarme que toca todo dia silencioso no mesmo horário.

E essa vida que se vive fora desse tempo.

É interrompida pelo silencioso trocar de números ociosos.

Onde a vida pára no tempo, apesar do tempo passar.

Mais um dia, menos tempo.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Palavras

19/05/2015

Por onde passo escrevo palavras.
Assim, deixo um pouco de mim.
Quem sabe um dia retorne para buscá-las.
Mas as deixo, ciente de que não mais me pertencem.
Na viagem, ficam as letras.
No chão, os rabiscos amassados junto com outros papéis.
No coração, completo, o calor de uma alma que está repleta, transbordando de alegria.

A Rede

18/05/2015
O que me dizes se não me olhas.
Buscando o encontro de olhares, tropeço nos dedos que teclam infinitas mensagens.
A rede aproxima os distantes.
Mas também separa, ainda que por breves momentos, os que estão perto.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

El Callafate


Faz alguns anos. Resolvi tirar férias e conhecer um pouco mais Argentina. Inicialmente, minha pretensão era ir até Uruguaiana, terra natal do meu Babo, e entrar por Libres. Queria dançar tango em Buenos Aires.

Com essa ideia, convidei meu pai, que, de pronto aceitou. Então passamos estudar o roteiro da viagem, pesquisar sobre melhores trajetos, hospedagem, alimentação, etc.

Eu em Torres, ele em Porto Alegre. Nos falávamos aos finais de semana, pois, durante a semana, trabalhava no Foro.

Num desses finais de semana, o pai chegou pra mim e perguntou o que eu achava de conhecer a patagônia. Eu já havia lido sobre a região e achei uma boa.

Então, decidimos estender nossa até então “pequena” e modesta viagem até o fim do mundo – Ushuaia, Terra do Fogo, Argentina.

Se tem uma coisa que não me arrependo e de ter dito sim, para esta que muitos chamaram de indiada.

Nos 16 mil km que percorri com meu pai, vivemos de tudo, muitos momentos bons e poucos imprevistos. Normais, tendo em vista a extensão da viagem. Por onde passamos fomos bem recepcionados e fizemos algumas amizades que levaremos para vida toda, como é o caso de uma família italiana que conhecemos no El Callafate.

Agora, me surge a oportunidade de revisitar o local, não pensei duas vezes antes de dizer sim novamente.

El Callafate, em breve, se tudo der certo, estarei aí novamente.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Um dia me disseram

Um dia me disseram: és poeta...
Mas não me prepararam para os tempos de vazio, as noites de insônia e as crises existenciais...
Um dia me disseram: és poeta...
Mas não calaram a voz que grita aqui dentro e o silêncio inquietante que às vezes me atormenta...
Um dia me disseram e eu nem quis ouvir o que, talvez porque duvidasse, talvez porque não fizesse diferença o que os rótulos estavam a me enquadrar...
O silêncio se fez distante, a voz pensante e o caminhar teve rumo...
Olhando para trás, talvez não importe o que eu sou, talvez seja algo que eu esqueci e sonhei um dia...
Um dia me disseram: és poeta...
E aquilo, de fato, alguma coisa significou, mas hoje não mais faz sentido...
Porque parece algo esquecido nas sombras dos meus pensamentos.
Algo distante e que eu estranho.
Um dia rimas e palavras faziam todo o sentido.
Hoje, não passam de rabiscos as poucas linhas que escrevo.
Escrevo e apago, como se nunca existissem, como se fizessem parte de um segredo que não quero dividir.
Um dia me disseram: és poeta...
e eu nada disse, como que quase consentisse.
Como se fossem atingíveis, como se fossem compreensíveis os textos que escrevia.
Um dia me disseram:  és poeta...
E Eu neguei, neguei até tal ponto que duvidei e, da dúvida, até aceitei.
Um dia me disseram: és poeta...
Mas esse tempo ficou pra trás, esquecido como uma porção de outros sonhos mais.
Foi-se o tempo que andava na corda bamba.
Foi-se o tempo da bohemia.
Mas não foi-se o tempo em que vivia.
Um dia me disseram: és poeta...
Então fiz análise, até que eu mesma me dei a cura.
E de tanto me dizerem, dei-me por convencida de que todos estavam errados e de que os loucos não precisam ser curados.

quarta-feira, 11 de março de 2015

O backspace


O backspace do teclado, se falasse, diria:

Por que escreves, se apagas?

Decida-se!

Não há o que não mereça ser lido.

Dê uma chance às letras que eu consumo.

Talvez tragam algum significado.

terça-feira, 3 de março de 2015

Vida corrida


vida corrida que passa a esquina.

passa a porta, passa o carro

e o cachorro parado abana o rabo

vida intensa, vida feliz

vida que não é possível ter bis

escrevo por escrever

sem pontos, apenas algumas vírgulas

a pressa e a necessidade conduzem meus dedos pelo teclado

há tempos abandonei a agenda que usava de caderno

comprei um caderno bonito florido, mas as ideias se foram

restaram folhas traçadas em branco

a pintura da pintura também está inacabada

algumas coisas ficaram por não se acabar mesmo no ano passado

este novo ano hão de ser concluídas

ou talvez esquecidas

ou adormecidas

quem sabe um dia acordem e se resolvam sozinhas

enquanto isso pincéis empoeirados, tintas paradas, canetas cheias de carga

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ah.. o amor

“Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure”


É, amigos, o amor me pegou... mas também, como não poderia... heheheh


Então, em clima meloso de apaixonada, deixo alguns versos que não são meus:




De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Silêncio


O papel espera as palavras.

A tela espera a tinta.

As canetas e os pincéis dormem no estojo.

O Silêncio é branco.

O tempo de despertar está próximo.

Para onde irão conduzir letras e rabiscos?
 

sábado, 18 de outubro de 2014

Ei, Você!

Ei, você que por aqui passa:
Preste atenção!
Aqui também bate um coração.
Não me trate com indiferença.
Posso realizar seus sonhos.
Transformar em realidade o que está na imaginação.

Ei, você: te  escuto a cada momento...
Enquanto avança, é mais sofrimento.
Não me subestime, posso ser a solução.
Para você sair desse labirinto de ilusão.
Não apenas passe devagar e acene.
Pare e olhe.
Permita-se sentir.

Ei, você: não me olhe com tanta estranheza.
Quando o assunto é sentimento, não há certeza.
Então, se quiser, siga adiante.
Mas de cabeça erguida.
E sem arrogância.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Mais um dia cinza


Dia cinza

café preto

água cristalina corre do céu

líquido amargo corre a garganta

papéis e mais papéis que poderiam estar em branco

pra eu sujar com rodelas da minha xícara

inventar planetas em marrom

ao invés disso, completo-os com letras e números

letras pretas que, misturadas ao papel branco, tornam o dia mais cinza

Fragmentos


Fragmentos do que eu sou

misturados ao longo dos tempos

recortes de alma recalcados na busca de equilíbrio

o universo sombrio do inconsciente esconde o que não devia

uma parte, uma pequena parte, de alguém que eu fui um dia
 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Escrever


Escrevo para lembrar o que esqueço de dizer

voar é ser livre, o esforço vem do conformismo

não há limites para quem sonha

vivê-los é que é difícil



o fato de eu me calar não anula o que sinto

expor é só mais um detalhe

detalhe que traz dificuldade

no medo, só vejo a oportunidade, ao perdê-lo

verdades são inconstantes, cada um tem a sua



se tudo muda, todos também mudam

enquanto um fala, outro escuta

e a vitória vem pros que falam e não se deixam levar pelo medo

mas também pros calados que sabem o quão bom é escutar
 
 

Pessoas que ficam


Entre o sol e a lua não existe nada, a não ser tudo

Pessoas vêm e vão no passar dos dias

Algumas ficam, outras vão embora

Mas é da natureza humana, estamos de passagem



A lua, por vezes, serve de inspiração, outras vezes, testemunha a agonia de quem espera por um novo dia

coisas inacabadas esperam por um final

do contrário se tornam sempre

Um sempre que nunca acaba



a mágica da vida está nas pequenas coisas

não há truques que enganem a felicidade

uma flor não deixa de ser uma flor só porque muda-se o nome

as ilusões não reveladas é que enganam

enganam quem quer ser enganado

quem quer ver magia onde não há



multidões passam por nós sem que se despertem sentimentos

mas, quando ele é desperto não se enxerga nada além do fogo da paixão cegante

a euforia desaparecerá um dia

e o que sobra é a magia das pequenas coisas, dos pequenos gestos



quando o coração pára de pulsar, morremos

mas morremos também quando matamos o que sentimos

então, vivemos de lembranças

lembranças do que foi, de fato, vivido

nos alimentamos delas até que venha um impulso por vivê-las novamente

então vivemos



enquanto isso, algumas pessoas passam

outras, simplesmente ficam


leia também:  "Tem gente que é pra sempre" em: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/thiago-cordeiro/

Viva!


Quando existem muitas ideias é comum optar por nenhuma delas. Ficamos contemplando aquela inspiração e esquecemos da ação. Temos inúmeras opções e simplesmente não escolhemos. É que todas parecem boas e abandonar as outra em detrimento de uma nos assusta. Talvez Freud explique. Provavelmente sim. A necessidade de uma decisão aparece todos os dias. Todos os dias tomamos pequenas decisões. Levantar. Tomar banho. Comer. Vestir-se. Ir ao trabalho. O dia mal começou e já somos um robô programados para só dizer sim. São todas ações afirmativas que se disséssemos não, provavelmente nos trariam complicações. Então os momentos de descontração são adiados para, pelo menos, o final do dia. Afinal no trabalho você tem que se comportar como uma pessoa normal. Então, como passamos o dia inteiro dizendo sim, é a vez do não. Não faço isso porque estou cansado. Não faço aquilo porque preciso fazer outra coisa que não consegui fazer durante o dia. Decidimos simplesmente adiar a felicidade por uma aparente falta de tempo. Negamos as ideias, as ridicularizamos e descartamos, como alguém que faz uma limpa em seus arquivos e joga um monte de papéis fora. E, como andorinhas, elas voam. Passado algum tempo, ficamos tristes porque se foram. Passados os anos, percebemos que também descartamos nosso sonhos. E, de repente, o vazio começa a nos incomodar. Mas provocamos aquele vazio. Simplesmente não sabemos o que fazer com ele. Como preenche-lo. Temos medo. Medo de preenche-lo. Medo de gostar. Medo de ser feliz. E o medo, por vezes, paralisa. Nos faz pensar que não existe saída. Surgem as dúvidas existenciais. Por que estou aqui? Qual o sentido do que eu faço? Pra que tudo isso? É possível perder muitos anos na buscas dessas respostas. E é saudável se perguntar isso. Mas o que fazemos quando nos vêm as respostas. As ignoramos e jogamos fora como as ideias? Ou transformamos elas em ações? Pois elas completaram nosso vazio e precisamos colocar para fora. Certa vez li em um livro que era perigoso se prender na buscas dessa respostas. Que elas não levavam a lugar algum. Mas, se nos preenche e dão sentido a nossa vida, como deixá-las? Esse questionamento provavelmente virá num momento de crise. Talvez represente a própria crise. Crise existencial. Quantas temos ao longo de nossa vida? Quantas vezes pensamos em jogar tudo pro alto porque nada faz sentido? Chutar o balde pode ser libertador. Mas é preciso estar preparado, e bem preparado, para as consequências. Elas virão. Toda ação tem uma reação. Leis da física que se aplicam ao dia a dia. É curioso como as exatas se misturam às humanas. Mas na matemática dessa equação temos a vida que se leva. Não devemos deixa-la passar em branco, simplesmente existir. Que sejamos capazes de viver nossos sonhos. De jogar tudo pro alto, quando estivermos distantes deles. Chacoalhar, de vez em quando, faz bem. As dúvidas e as crises fazem parte do caminho. A felicidade não é algo para ser atingido, algo parado. Está em movimento é deve ser uma constante do caminho. Poucos são os picos de felicidade. A riqueza está em se alegrar nas pequenas coisas do dia a dia. Mas se no seu cotidiano isso é complicado, algo precisa ser revisto. E com urgência. Movimente-se! Sinta! Viva!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Surto - parte 1


O mar estava agitado, de ressaca, mas o vai e vêm das ondas era capaz de acalmar seus pensamentos. De levar a um estado de não-pensar. Fitou o horizonte por horas, até que lhe surgiu um pensamento – O que haveria do outro lado das águas. Logo pensou: - A África! Conjecturou se havia alguém do outro lado e imaginou que talvez também estivesse olhando o oceano e em algum ponto do atlântico seus olhares haveriam de se encontrar.

Sofia acabara de completar 25 anos, mas aparentava bem menos e quem a conhecia achava que ela era muito sábia para idade que tinha. Vivia da venda de seus quadros, para desgosto do seu pai que sempre quis uma filha médica ou advogada. Chegou a iniciar o curso de Direito, mas parou no 7.º semestre. Era a caçula da família, nunca causou grandes preocupações aos seus pais, até decidir abandonar o curso e viver de arte.


Iniciou a faculdade, não tinha 18 anos completos e se deu conta que aquilo não fazia mais sentido em sua vida aos 22, quando teve uma longa conversa com seus pais.
 
- Mas, minha filha, o que você vai fazer da vida? - Questionou seu pai.
- Não sei, pai. Mas não vejo sentido em ter regra pra tudo, em ver números substituindo pessoas... – referindo-se ao seu estágio no Foro, onde lidava com várias pilhas de processos.

Seu hobie por pintura começou desde cedo. Desde pequena se destacava nas aulas de artes no colégio. Com o tempo livre da faculdade e do estágio do foro, pintou tantos quadros que não haviam mais paredes em sua casa para pendurá-los. Resolveu anunciá-los na internet, em um site de compras. Em pouco tempo, vendeu o primeiro, depois o segundo e, com o tempo, viu naquilo uma fonte de renda.

Foi quando resolveu sair da casa de seus pais. Morava em Porto Alegre, em uma rua muito calma, próximo ao lago que todos chamam de rio, onde todas as manhãs passeava com sua cachorrinha – a Doroty. Resolveu que queria uma cidade litorânea, não sabia bem qual, resolveu pegar o seu carro e visitar uma a uma todas as praias até encontrar uma que seu coração lhe dissesse que era aquela.

Reuniu um pequeno grupo de amigas e partiu, sem rumo, para o norte. Não contou às amigas ou a seus pais dos seus planos de independência, mas foi resolvida a encontrar um lugar para fixar raízes, longe da casa dos pais.

Era inverno, meados de julho e suas amigas, que permaneceram cursando a faculdade de Direito, estavam de férias. A princípio queriam ir para serra, mas Sofia as convenceu em viajar para a praia.

Ana e Júlia conheceram Sofia no cursinho pré-vestibular e, desde então, para onde uma ia, as outras também iam.

Ana logo exclamou:

  • Sofi, só tu pra nos tirar da nossa casa quentinha, para ir pra praia no inverno! Para onde vamos?
  • Para onde o destino nos levar, vamos indo e parando no caminho. Quando encontrarmos algum lugar legal, paramos. E, se pá, até passamos a noite.
  • Quando voltaremos? - Indagou Júlia.
  • Antes das tuas férias, se não convencer vocês a abandonar esse curso sem sentido e cair na estrada. - Provocou Sofia.
  • Tu é louca, Sofi. Abandonar o curso no meio do caminho, porque não terminou? Pelo menos teria um diploma.- Respondeu Júlia.
  • Não preciso de diploma algum para ser feliz.

As duas amigas sabiam que era inútil tentar convencer Sofia a retomar os estudos, quando ela colocava uma coisa na cabeça, não havia Cristo que tirasse. Arrumaram as malas no carro, pegaram Doroty na casa de Sofia e seguiram viagem.

Era sexta-feira e a primeira parada foi em Tramandaí, chegaram por volta das 18h. Júlia logo determinou:

  • Hoje dormimos aqui! Em Imbé tem noite forte!
  • Você e suas festas... - Reclamou Ana. Ana era mais intelectual, adorava estudar e não era muito chegada a baladas.
  • Dá um desconto pra ela, que faz mais de três semanas que não sai. Vocês acabaram de passar um período de provas. Vai fazer bem relaxar um pouquinho... - Ponderou Sofia.

Hospedaram-se em uma pequena pousada, a uma quadra da praia. Barulho do Mar era o nome. Sofia, que sempre foi fascinada pelo mar, achou que aquele nome era um sinal, que iria ajudá-la em sua busca. Na recepção, pediram um quarto triplo, mas foram avisadas que só havia quartos de casal. Ficaram em dois quartos, Sofia num, Ana e Júlia noutro. Comeram um lanche ali mesmo e resolveram ir explorar a cidade.

Tramandaí é uma cidade que recebe muitos veranistas no verão, mas no inverno conserva a característica de uma cidade de interior, com cerca de 41 mil habitantes. É conhecida por suas festas e, no inverno, muitos jovens de cidades vizinhas e até mesmo de Capão da Canoa e Torres vêm desfrutar dos barezinhos que ficam abertos o ano todo.

No centro, havia um certo movimento, os bares já começavam a se preparar para receber as pessoas a procura de divertimento. Resolveram sentar num pequeno pub que tocava música ao vivo, por insistência de Sofia, já que Júlia não era muito fã de MPB.

O lugar chamou a atenção de Sofia, pois o cantor estava tocando Cão de Giz e ela adorava Zé Ramalho. Viajava em suas letras. Imaginava como ele compunha suas músicas. Certa vez, tinha lido que o cantou era garoto de programa e que havia se apaixonado por uma cliente, mais velha e socialite. Do “romance” compôs a música. Achava aquela música linda.

Passava das 21horas, as três escolheram uma mesa próximo ao palco e pediram uma cerveja. Próximo a mesa delas havia um casal com uma criança que já resmungava de sono. Sofia, ficou observando a menina, era loira, de cabelos encaracolados, réplica mirim de sua mãe. A menina notou que Sofia a observava e deu um tchauzinho. Sofia sorriu e devolveu o cumprimento. Os pais nada perceberam. Em um dado momento, a menina se levantou e foi ao encontro de Sofia.

  • Oi, Tia!
  • Oi, como é o seu nome?
  • Clara...
  • Legal, meu nome é Sofia, mas pode me chamar de Sofi!
  • Pode me chamar de Clarinha, então.
  • Quantos anos tu tens, Clarinha?

Mostrou os cinco dedos e, fechou os olhos e começou a falar em outra língua. Nesse momento, a mãe da menina, pegou ela pelo braço e dirigiu-se a Sofia:

  • Desculpe se ela está te chateando, essa menina é impossível.
  • Não é incomodo nenhum.
  • Você está no caminho certo, mas não é aqui o seu lugar! – Gritou a guria.
  • Desculpe, como eu disse, minha filha é tinhosa.
  • Não foi nada.

O casal pagou a conta e foi embora com a menina dormindo.

  • O que foi aquilo? Perguntou Júlia que observou toda a cena.
  • Nada, só um aviso dos deuses que falaram através da menina.
  • Que deuses? Aviso de que?
  • Nada... deixa assim...
  • Você e seus mistérios. Tem cada coisa que acontece que só pode ser contigo mesmo.

Beberam e riram mais um pouco, a respeito do ocorrido. Ficaram até o pub fechar, cerca de umas 3h da madrugada.

  • Para onde vamos? - Indagou Júlia toda animada.
  • Pra cama! – Respondeu Ana,
  • Ah não, Ana... Nem vem... Hoje é sexta e são apenas três horas, vamos procurar algum lugar para ir.

Perguntaram ao garçom, que estava acabando de limpar as mesas e colocando as cadeiras sobre elas, qual o melhor lugar para irem. Estavam alegre, em função da bebida. O garçom indicou uma casa noturna que tocava música eletrônica, ali perto. Foram à pé. Estava frio, mas sofia sentia calor e uma certa vertigem, em razão da cerveja bebida. Chegaram lá já havia pouco movimento, ficaram cerca de uma hora e meia e foram voltaram para a pousada.

Quando chegou ao seu quarto, foi recepcionada com festa por Doroty que a convidava com os olhos para um passeio. Atendendo ao pedido canino, percorreu a quadra que faltava para chegar o mar e caminhou pela beira da praia por cerca de uma hora. Doroty corria muito, mas sempre voltava para acompanhar os passos de Sofia. Sentou em um tronco que estava na beira da praia e ficou aguardando o raiar do sol, observando o mar. Pensou que deveria voltar à pousada e descansar um pouco, pois queria partir no mesmo dia para outro lugar, afinal, acreditava que aquela criança lhe dera o sinal de que o lugar procurado não era aquele.

Lembrou de sua Tia, que morava em Capão da Canoa. Olhou no relógio, eram 06:30, julgou que sua tia provavelmente já estaria acordada pois levanta com as galinhas. Resolveu telefonar.

  • Bom dia, Tia, é a Sofia. Tudo bom?
  • Tudo ótimo, melhor agora. Quanto tempo...
  • pois é... É que estou em Tramandaí, estou viajando para Santa Catarina, pensei em passar por aí hoje, o que a Sra. Acha?
  • Acho que eu ficaria muito brava se você não passasse por aqui. Venha para o almoço!
  • Não quero incomodar, estou com duas amigas e a Doroty.
  • Não tem problema, pode vir, estarei esperando.
  • O.K.. Então, vou mesmo, mas chegamos lá pelas 13hs, pois ontem saímos e ainda quero descansar um pouquinho.
  • Combinado, estarei esperando.

Despediram-se e Sofia voltou à pousada. Dormiu algumas horas, levantou para tomar café da manhã na cozinha da pousada, onde encontrou as duas amigas e lhes disse no novo destino. Tomou um banho e pegaram a estrada. Chegaram na casa da tia de Sofia por volta das 13:30.

  • Olá, prazer.... meu nome é Elisabete, sou tia da Sofia! - Cumprimentou.

As meninas responderam ao cumprimento e Elizabete deu um longo abraço em Sofia. Elisabete era uma segunda mãe para Sofia. Muitas vezes Sofia confidenciava coisas para Elisabete que nem mesmo sua mãe sabia.

Almoçaram e Júlia convidou todas para tomarem um sorvete no centro. Sofia disse que iria dormir um pouco, pois estava cansada e que dispensava o convite, mas emprestava o carro para elas irem. Elisabete disse que iria ficar por casa, pois queria arrumar as coisas do almoço. Júlia se ofereceu para lavar a louça, mas Elisabete não deixou. Ana aceitou o convite e ambas saíram após tomarem um café.

Sofia começou a lavar a louça, sobre os protestos de Elisabete.

  • Então, o que a traz ao litoral logo no inverno?
  • Não contei para as gurias, nem para os meus pais, mas estou pensando em morar em alguma praia, só não sei qual.
  • Praia para vocês jovens é bom no verão. No inverno, é só tranquilidade.
  • Mas é isso que eu busco, Tia... Quero um lugar calmo para pintar os meus quadros...
  • Então, pelo visto resolveste mesmo largar o Direito.
  • Sim, não é pra mim.
  • Sempre achei que estava fazendo o curso errado, mas tem coisas que só é possível descobrir vivendo... Até acho que ficou tempo demais. Aqui em casa tem espaço suficiente para nós duas, venha para cá, será bom ter um pouco de companhia.
  • Obrigado, fico muito grata com o convite, mas não sei ainda onde vou ficar, estou esperando um sinal, não sei vindo de onde, mas um lugar que me toque no coração. Esse lugar até pode ser aqui, mas ainda não senti isso.
  • Sei como é, você também não precisa morar comigo, pode alugar um apartamento ou uma casa aqui perto, é bom ter alguém conhecido por perto.
  • Verdade, vou considerar isso... Tia, a Senhora me desculpe, mas estou muito cansada, cheguei na pousada para dormir pela manhã. Não dormi quase nada... onde posso me deitar?

Elisabete a encaminhou até o quarto de hóspedes que ficava no segundo andar da casa. Era um sobrado com três dormitórios em cima e um embaixo, onde dormia Elisabete. Tinha um amplo pátio na parte da frente, onde um jardim belíssimo era o passatempo preferido da tia da Sofia. Nos verões, a casa vivia lotada por parentes, mas no inverno quase ninguém visitava Elisabete.

Acordou por volta das 18h com o cheiro de café. Suas amigas haviam voltado e também estavam dormindo. Chamou elas e foi até a cozinha, onde Elisabete preparara uma mesa bem farta. Comeram e Elisabete disse que tinha que ir a Torres no domingo pela manhã, buscar uns produtos para a loja, convidando elas para ir junto.

Elisabete era meio bruxa e tinha uma loja de produtos exotéricos, a Vibração do Mar. Era mais um ponto de encontro para as pessoas falarem sobre assuntos místicos que uma loja. A mantinha somente por distração, pois recebia uma bela aposentadoria do Governo.

Júlia não gostou muito, pois teriam que dormir cedo e tinha planos de sair aquela noite. Mas foi vencida pela maioria que queria ir a Torres. Sofia havia passado apenas um Reveillon em Torres, não achava grande coisa a cidade, mas ficou entusiasmada em ver as novas mercadorias que sua Tia iria buscar para loja. Tratavam-se de caldeirões de barro, feitos por um bruxo artesão da cidade.

Sofia não tinha religião, mas se interessava muito por assuntos do ocultismo. Achou que conhecer um bruxo iria lhe fazer bem, talvez ele tivesse alguma coisa para lhe dizer, pensou.

Saíram de Capão da Canoa às 8h da manhã. Sofia decidiu deixar Doroty, pois ficaria muito apertado no carro, já que era uma cachorra de porte médio. Pararam um uma casa, repleta de escultura indianas espalhadas pelo jardim. Elevada do nível do solo, no muro havia o desenho de mandalas, feitas em mosaico. Elisabete mandou que Sofia buzinasse. Saíram do carro e ficaram esperando. Não demorou muito um senhor, que aparentava uns 50 anos, magro, de altura mediana e cabelos compridos saiu da casa, atravessando o jardim. Desceu as escadas e abriu o portão.

  • Olá, Elisabete, vejo que trouxe companhia!
  • Sim, esta é minha sobrinha, Sofia e suas amigas, Ana e Júlia.
  • Então essa é a famosa Sofia. Muito prazer, meninas! Meu nome é Ricardo. Os caldeirões estão lá em cima, vamos entrando.

Subiram os degrais que compunham o jardim e entraram na casa, que era térrea e parecida ser feita de vidros.

A sala era muito grande, bem iluminada e cheia de cortinas balançando com o vento. Não havia móveis, apenas várias almofadas e um tapete enorme que preenchia a sala toda. Eram 13 almofadas alinhadas em círculo. Havia também um grande altar, onde havia um cálice, um caldeirão, um incensário em formato de pentagrama e diversas mini-estátuas de deuses egípcios, anjos, divindades indianas e bruxas. Também haviam diversos vasos com plantas, decorados com fadas e gnomos. Sofia sentiu uma imensa paz e tranquilidade ao entrar naquela sala. Ricardo entrou em uma porta que dava para os fundos da casa e voltou com uma caixa de papelão.

  • Aqui estão! 10 caldeirões, conforme o pedido. Mas hoje é um dia especial, gostaria que vocês ficassem e pelo menos almoçassem aqui comigo. - Deixou a caixa em um canto da sala e fez sinal para todas sentarem nas almofadas. - Então, garotas... Todas as pessoas que por aqui passam, passam por alguma razão, nada acontece por acaso. E não é por acaso que vocês cruzaram o meu caminho hoje. Sinto que os bons espíritos querem falar com vocês e eu serei o instrumento, hoje, caso vocês desejem ouvir a mensagem.

Todas ficaram entusiasmadas e concordaram. Então, Ricardo se dirigiu até uma outra sala e voltou com um baralho e um livro. Puxou um incenso que havia num cesto ao lado do altar e acendeu-o, assim como uma vela que também ficava no altar. Sentou também em uma das almofadas e perguntou:

  • Quem quer ser a primeira?
  • Eu!!! - Respondeu, de pronto Júlia.
  • Então, que assim seja. Mas primeiro vamos fazer uma pequena oração, para entrarmos no clima. Vamos nos dar as mãos e cada um converse com quem achar que deve conversar, conforme a crença de cada uma.

Deram as mãos e fecharam os olhos por cerca de 3 minutos. Ricardo puxou sua almofada para o centro e colocou mais uma em sua frente.

  • Pode sentar aqui, Júlia... Esse é o Tarot do Osho, ele traz resposta para o presente, embaralhe, concentre-se e tire uma carta. - Júlia lhe entregou a carta. - Você tirou a carta das Projeções. Observe que o homem e a mulher nela ilustrados têm uma imagem distorcida de si mesmos. - Consultou o livro e prosseguiu: - Vou te ler o que o Osho escreveu sobre esta carta: “Todos nós podemos cair na armadilha de projetar ‘filmes’ de nossa própria autoria sobre as situações e as pessoas à nossa volta. Isso acontece quando não estamos plenamente confiantes de nossas expectativas, desejos e julgamentos e de reconhecê-los como nossos, tentando atribuí-los aos outros. Uma projeção pode ser diabólica ou divina, perturbadora ou confortadora, mas continua sendo uma projeção – uma nuvem que nos impede de ver a realidade como ela é. O único modo de escapar disso é entender como funciona o jogo. Quando você der com um julgamento se formando a respeito de outra pessoa vire-se do avesso: aquilo que você está vendo no outro, na verdade, não pertence a você? A sua visão está límpida ou obstruída pelo que você quer ver?”. Que bela descrição da nossa própria cegueira a respeito de nós mesmos, não é verdade? Quantas vezes olhamos para quem está perto de nós e não percebemos que este alguém funciona como nosso espelho, refletindo exatamente aquilo que menos gostamos em nós. No livro o autor diz que nossa mente é um projetor e o outro, a tela onde o nosso filme é projetado. Isso explica muito bem aqueles relacionamentos onde no início é tudo ouro sobre azul e, com o passar do tempo, o ódio, a raiva, a vingança e o desamor começam a surgir na relação transformando príncipes e princesas em sapos e rãs repugnantes. Um estudo recente parece mostrar que a paixão dura em média um ano e meio. Segundo o estudo, é nessa fase que o objeto do amor é perfeito, lindo, tudo o que um diz ou faz é maravilhoso. Depois dessa fase o castelo começa a desmoronar e, então, começamos a nos ver no outro (e vice-versa) sem o véu da ilusão, do encantamento, da anestesia. E o encantamento vai passando sendo substituído pelas projeções que nossa mente faz sobre o que nosso companheiro/a tem de pior (ou seja, o que temos de pior refletido nele ou nela).
      Júlia interrompeu:
  • Sim, acabei de acabar um relacionamento assim.
  • Então, sugiro que faça o seguinte exercício, proposto no livro, durante sete dias: Faça sempre ao acordar, sentado, tenha os pés apoiados no chão e as mãos apoiadas nas pernas. Feche os olhos, respire até sentir muita calma e pense na intenção do exercício: ver as pessoas e as situações como elas realmente são. E veja, sinta, perceba ou imagine-se olhando para um espelho onde sua imagem está distorcida, embaçada, pouco nítida. Esta visão turva sobre si mesmo representa sua dificuldade de saber quem realmente é, por isso está confundida numa bruma de ilusões. Respire uma vez e imagine que seu terceiro olho (entre suas sobrancelhas) se abre e imediatamente a visão que tem de si no espelho se torna clara e límpida, sendo assim ajudada por seu Ser Superior a encontrar a verdadeira pessoa que é. Então, respire e abra os olhos.

Júlia ouviu tudo em silêncio e deu lugar a Ana, que também tirou uma carta.

  • A sua carta é a Fonte. Olhe para a ilustração e sinta a força que emana deste Sol Central. - Abriu, novamente o livro e disse: - Olha o que Osho diz sobre essa carta: “Esta carta nos lembra que existe um vasto reservatório de energia à nossa disposição. E que não é quando pensamos ou planejamos que nos ligamos a ele, mas quando pomos nossos pés no chão, quando nos centramos, e quando permanecemos suficientemente em silêncio para que o contato com a Fonte possa se estabelecer. Ela está dentro de cada um de nós, como um sol pessoal, individual, proporcionando vida e alimento. Energia pura, ela permanece pulsando, disponível, pronta a nos dar o que for que precisamos para realizar alguma coisa, e pronta para nos acolher de volta em casa, quando quisermos descansar.” Vamos ler juntos como o mestre continua a descrever esta carta: “O Zen lhe pede que deixe de lado a cabeça e volte-se para a fonte primordial... Não é que o Zen não esteja a par dos usos da energia na cabeça; mas, se toda a energia for usada na cabeça, você nunca se dará conta da sua eternidade... Você nunca conhecerá, como uma experiência, o que é tornar-se uno com o todo. Quando a energia fica restrita ao centro, pulsando, quando ela não está se deslocando para alguma parte, nem para a cabeça e nem para o coração, permanecendo na própria fonte de onde o coração a retira, onde a cabeça vai buscá-la, pulsando na própria fonte - esse é o significado exato do Zazen. Zazen quer dizer apenas que, se você permanece na própria fonte, sem deslocar-se para parte alguma, uma força imensa se levanta, uma transformação de energia em luz e amor, em uma vida maior, em compaixão, em criatividade. Ela pode assumir formas variadas. Primeiramente, porém, você tem que aprender como permanecer na fonte. Depois, então, decidirá onde está o seu potencial. Você pode relaxar na fonte, e ela o levará ao seu próprio potencial”. Para acessar esta fonte, aconselho você a meditar. Depois, se vocês quiserem, no final da tarde, podemos fazer uma meditação aqui, com uns amigos que irão vir.
  • Realmente, sinto que, às vezes, me falta energia. - Respondeu Ana.

Sofia quis ficar por último, então foi a vez de Elisabete:

  • Minha cara, a sua carta é a Mudança. Estamos sempre em constantes mudanças. Mudamos de opinião, mudamos de cidade, mudamos de crenças... O símbolo desta carta é uma roda enorme que representa o tempo, o destino, o Karma. Galáxias orbitam em torno deste círculo que está em constante movimento, e os doze signos do zodíaco aparecem à sua volta. Na parte do centro da circunferência estão os oito trigramas do I Ching, e mais próximo do centro aparecem as quatro direções, cada qual iluminada pela energia do relâmpago. O triângulo giratório neste momento está apontado para cima, em direção ao divino e o símbolo chinês do yin e yang, macho e fêmea, o criativo e o receptivo, fica no centro. Sobre ela, o mestre Osho comenta o seguinte: “Com frequência tem sido dito que a única coisa que não muda no mundo é a própria mudança. A vida está mudando continuamente, evoluindo, morrendo e renascendo. Todos os opostos tem um papel nesse vasto esquema circular. Se você se agarrar à borda, poderá ficar tonto! Avance em direção ao centro do ciclone e relaxe, sabendo que este estado também passará. A vida segue repetindo-se despreocupadamente e - a menos que você se torne muito consciente - ela continuará se repetindo, como uma roda. Por isso é que os budistas chamam a isso de uma roda da vida e da morte - roda do tempo. Tudo se movimenta como uma roda: ao nascimento segue a morte, à morte o nascimento; ao amor se segue o ódio, ao ódio o amor; ao sucesso se segue o fracasso, ao fracasso se segue o sucesso. Basta olhar à volta... Se lhe for preciso observar apenas por alguns dias, você perceberá um padrão se definindo: o esquema da roda. Em um dia, numa bela manhã, você se sente tão bem, tão feliz e, no outro dia, está chateado, tão infeliz, que começa a pensar em cometer suicídio. Há apenas alguns dias você se sentiu tão cheio de vida, tão abençoado, que agradecia a Deus, pois você estava num estado de espírito de profunda gratidão, e hoje há um grande sentimento de inconformismo, e você não vê razão que justifique continuar vivendo... E essa alternância vai se repetindo, mas a gente não chega a perceber o padrão. Uma vez que você perceba o padrão, pode libertar-se dele”. Nesta carta do Tarô Zen de Osho, vemos com muita clareza a energia da espiral que tende a girar na mesma direção, nos levando para a luz infinita ou para a areia movediça das ilusões na qual ficamos presos para sempre. Esta é uma perfeita imagem para descrever nossos padrões. Alguns deles, como por exemplo, o apego ao dinheiro - como se a vida só fosse possível para os ricos - nos leva a encontrar muita dificuldade em conectar oitavas mais altas de luz. A matéria é por si só densa, pesada, pregada na terra e no chão. Longe de mim, dizer que não precisamos dela. Precisamos sim. Ela nos mantém firmes na nossa missão na terra. Falo da obsessão, do desejo profundo de viver só para isso. Falo do desvario dos atos, até por vezes antiéticos, para realizar estes desejos de posse. Não dá para ver as estrelas se tivermos nosso olhar fixado na terra. Os padrões nos escravizam, nos paralisam, geram sentimentos e emoções que incomodam muito. A inveja, por exemplo, pode ser resultado de um padrão de comportamento. Quando quero tudo só para mim, quando só penso em mim e no meu próprio conforto, passo a olhar tudo que me rodeia como um objetivo que preciso perseguir. Perceba como um sentimento de inveja apossa seu corpo, muda seu ritmo cardíaco, sua respiração, a sua temperatura corporal quando percebe que alguém tem aquilo que você quer e ainda não tem. E se for assim todos os dias, do mesmo jeito e com a mesma intensidade, acaba criando uma roda, uma espiral repetitiva que prende você e não deixa que você escape mais. Esta carta faz algum sentido para você?
  • Sim, ando muito preocupada com os lucros da loja.
  • Então sugiro que faça um exercício com imagens mentais como uma forma de trabalhar este padrão. Mudar um padrão é talvez a tarefa mais árdua que podemos empreender. Mas vale sempre tentar encarar esta luta. Então, vamos lá. Sentado, pés apoiados no chão, mãos sobre as pernas, respire lentamente três vezes e sempre de olhos fechados leve sua atenção para a intenção deste exercício que se chama: Levando consciência e luz à escuridão. E veja, sinta, imagine, perceba ou ouça seus pés pisando sobre as folhas secas de uma floresta. Você leva em suas mãos uma poderosa tocha de luz. Ande por esta floresta até encontrar uma caverna. Entre nesta caverna e encontre lá no fundo dela vários elementos. Escolha um para representar o seu padrão. Repita mentalmente o nome deste padrão. Então imagine que captura este elemento da forma que lhe for mais conveniente e arrasta ela para fora da caverna. Então use sua tocha de luz para eliminar este elemento sentindo que, na verdade, está eliminando seu padrão. Sentindo-se vitorioso, imagine que levanta seus braços para os céus comemorando sua vitória sobre seu padrão. Respire e abra os olhos. É muito importante que você faça esse exercício todos os dias ao acordar e antes de deitar por no mínimo três meses.

Então, chegou a vez de Sofia:

  • Vejo pelo seus olhos que tem uma profunda mudança ocorrendo no interior do seu ser, garota. Não a deixe de lado, deixe-se levar por ela, mas tenha cuidado. É muito fácil se perder quando buscamos algo que não sabemos o que é. Vou tentar lhe ajudar de outra maneira. Talvez as cartas não sejam indicadas para você neste momento. Sinto isso. Fique para meditação hoje à tardinha.



Naquele momento, o passado, como um filme, foi transmitido diante dos seus olhos. Voltou ao presente e constatou que havia ficado cerca de umas três horas olhando o mar. Resolveu voltar para casa. Era cerca de 19h e a luminosidade do sol já começava a desaparecer. Chamou Doroty, que estava correndo pela praia, subiu no carro e foi embora.